Guia da sucata: quanto vale a sua sucata de cobre, sobre foto de fios de cobre

Preço da sucata de cobre: o que define o valor do quilo

O preço da sucata de cobre parte de uma referência: a cotação internacional do cobre, convertida pelo dólar do dia. Sobre essa base pesam quanto cobre existe de fato no material, o tamanho do lote e os custos de quem compra e processa. Por isso o valor da sucata fica sempre abaixo da cotação da bolsa.

Este guia mostra como cada fator entra na conta. Com ele, você chega na negociação sabendo o que valoriza o seu material e o que tira valor dele.

Resumo para quem negocia a venda

  • A referência mundial é a Bolsa de Metais de Londres (LME), que cota o cobre refinado em dólar por tonelada. Ela é a base da negociação, e não o preço da sucata.
  • Sobre essa base, o comprador desconta refino, frete, operação e a margem do negócio.
  • O dólar converte essa cotação para reais. Por isso o preço muda de uma semana para outra.
  • Quanto menos cobre o material tem, mais etapas de refino ele exige. Esse custo sai do preço.
  • Solda, tinta, conexão de latão, óleo, ferro e capa de cabo rebaixam a classe do cobre.
  • Separar antes de vender é a forma mais simples de receber mais pelo mesmo peso.

De onde vem a cotação do cobre

O cobre tem preço mundial. A principal referência é a LME, a Bolsa de Metais de Londres. Ela cota o cátodo de cobre grau A, que é o metal já refinado. Nesse cátodo, a soma de todas as impurezas não passa de 0,0065%.

A cotação sai em dólares por tonelada. Os contratos de cobre físico no mundo inteiro usam esse número como base. Em cima dele, comprador e vendedor negociam descontos e prêmios de acordo com o material.

Aqui está o ponto que quase todo mundo erra: a LME cota o metal refinado, e não a sucata. Entre a sucata e o cátodo existem coleta, classificação, transporte, processamento e refino. Cada etapa tem custo, e quem compra também precisa ter margem. Quanto mais trabalho o material der, maior a distância entre a cotação e o preço pago.

Por que o dólar mexe no preço da sua sucata

Como a referência está em dólar, o valor em reais depende do câmbio. Se o dólar sobe, o cobre fica mais caro em reais, mesmo com a bolsa parada. Se o dólar cai, acontece o contrário.

Cotação internacional e câmbio mudam todos os dias. Uma proposta de hoje pode não valer o mesmo daqui a uma semana. Na Shark, a cotação acompanha o dólar. A dica prática é pedir o preço quando o material já estiver pronto para sair.

Teor de cobre: o fator que você controla

A régua mais usada no comércio de sucata é a especificação internacional da ReMA, a associação norte-americana de materiais reciclados (antigo ISRI). A norma brasileira de sucata de cobre, a NBR 8386, está cancelada. Por isso, na prática, o mercado se orienta por essa nomenclatura.

A tabela abaixo resume as classes de cobre sem liga que mais aparecem na indústria.

Classe (ReMA)O que éTeor de cobre
Cobre nº 1 (Barley, Berry, Candy)Fio, barramento, retalho e tubo limpos, sem liga, sem estanho e sem revestimentoDefinido pela condição da peça, sem percentual escrito
Cobre nº 2 (Birch, Cliff)Fio, sólidos e tubos sem liga, de origem variada96% nominal, mínimo de 94%
Cobre leve (Dream)Chapa, calha, caldeira e peças parecidas92% nominal, mínimo de 88%
Granulado de fio nº 1 (Clove)Fio nº 1 picado ou moídoMínimo de 99%
Granulado de fio nº 2 (Cobra)Fio nº 2 picado ou moídoMínimo de 97%
Fio com capa (Droid, Druid)Fio e cabo com isolamentoVendido por amostra ou pelo cobre recuperado

Veja o efeito no peso. Mil quilos de cobre nº 2 no teor nominal têm 960 kg de cobre. Mil quilos de cobre leve têm 920 kg. São 40 kg de metal a menos no mesmo peso de balança, antes de contar qualquer custo de refino.

Por que teor menor custa mais do que parece

O cobre com muita impureza precisa passar por várias etapas até virar cátodo. Segundo a agência ambiental dos Estados Unidos (EPA), a sucata de baixo teor começa num forno de fusão. Depois vai para um conversor, onde chega a 80% ou 90% de cobre. Em seguida passa por um forno de refino, que leva a cerca de 99%. Por fim, a eletrólise entrega o cátodo com até 99,99%.

Quando o material tem mais de cerca de 90% de cobre, as duas primeiras etapas podem ser puladas. Cada etapa a mais consome energia, tempo e mão de obra. É por isso que o cobre limpo tem prêmio e o misturado tem desconto.

O que rebaixa o seu cobre

A especificação da ReMA lista o que tira o material de cada classe. Estes são os casos mais comuns na indústria:

  • Estanho ou solda: tira o fio e a peça do cobre nº 1. Em excesso, tira também do nº 2.
  • Tinta, verniz ou outro revestimento: tira do cobre nº 1.
  • Conexão de latão no tubo: tubo com conexões que não são de cobre sai do nº 2.
  • Óleo, ferro e plástico em excesso: tiram do nº 2.
  • Fio queimado: o fio de queima fica fora do cobre nº 2, e o fio queimado quebradiço fica fora também do nº 1.
  • Capa ou isolamento: o fio passa a ser vendido pelo cobre que se recupera dele.

O padrão internacional também prevê que carga fora da descrição combinada fique sujeita a recusa ou rebaixamento. Um único tambor misturado pode puxar para baixo a classificação que você esperava.

Volume e logística

A quantidade também pesa no preço. Lotes maiores deixam o frete e a negociação mais eficientes, e isso aparece na proposta. Na Shark, a entrega mínima é de 500 kg, e as condições acompanham o volume de cada empresa.

Como o preço se forma

A cotação da LME é o ponto de partida da negociação, e não a conta final. Ela diz quanto vale o cobre já refinado no mercado mundial. A sua sucata ainda precisa percorrer todo o caminho até chegar lá.

Por isso, o raciocínio tem duas etapas:

  1. A referência: quanto cobre existe no lote, pela cotação internacional e pelo câmbio do dia.
  2. Os descontos: refino, frete, operação e a margem de quem compra. Eles mudam com o tipo de material, o volume e o comprador.
A LME é o ponto de partida: peso, teor de cobre, cotação e câmbio formam a referência, e dela saem refino, frete, operação e a margem de quem compra

Multiplicar o peso pela cotação da LME não dá o preço da sua sucata. O resultado ficaria acima de qualquer proposta real, porque ignora todo o processo. O que a referência mostra é onde está o valor. Você não controla a bolsa nem o dólar, mas controla o teor e a separação.

Como aumentar o valor da sucata antes de vender

  1. Separe por tipo. Fio, tubo, chapa, barramento e cavaco em lotes diferentes.
  2. Passe um ímã. Ele encontra parafusos, grampos e peças de ferro escondidas no meio do cobre.
  3. Corte as conexões de latão dos tubos. Latão e bronze formam lotes próprios. Veja como diferenciar latão e bronze.
  4. Não queime o fio. Venda com a capa ou moído. A queima tira o fio das melhores classes.
  5. Guarde em local seco e sem óleo. Umidade e óleo entram no peso, e o comprador desconta.
  6. Peça a cotação com foto e peso estimado, de preferência no dia em que o lote estiver pronto.

Moagem: para quem gera muito fio e cabo

Empresas que descartam fio e cabo com frequência podem ganhar com a moagem. É o processo industrial que separa o metal dos plásticos e do isolamento. A Shark tem moagem própria. Conheça o serviço de moagem de fios e cabos de cobre e a página de reciclagem de fios e cabos.

Perguntas frequentes

Qual é o preço do quilo do cobre hoje?

O valor muda todos os dias, com a cotação internacional e o dólar. Tabelas de preço por quilo na internet desatualizam rápido e variam por região. O caminho seguro é pedir a cotação informando o tipo de material, o peso aproximado e uma foto.

Cobre misto vale menos que cobre limpo?

Em geral, sim. “Cobre misto” é um termo comercial brasileiro, sem definição técnica única. O preço dele varia conforme a quantidade de cobre puro presente na mistura. Quanto mais impureza, mais refino o material exige.

Vale a pena vender fio com capa?

Vale, e é melhor do que queimar. O fio com isolamento é negociado pelo cobre que se recupera dele. Para quem tem volume, a moagem separa o metal da capa.

Cobre esverdeado perde valor?

Pode perder. Na especificação da ReMA, o fio oxidado entra na melhor classe só por acordo entre comprador e vendedor. Mandar uma foto antes evita surpresa na pesagem.

A Shark compra sucata de pessoa física?

Não. A Shark compra de empresas de todo o Brasil, com entrega mínima de 500 kg e condições de acordo com o volume.

Venda a sua sucata de cobre para a Shark

A Shark Reciclagem compra sucata de cobre de empresas de todo o Brasil, com condições de acordo com o volume. Veja a página de compra de sucata de cobre ou mande a foto do lote direto para a equipe.

Fale com quem entende de metal não ferroso

Classificar certo o material faz toda a diferença no valor da venda. Na Shark Reciclagem, sua empresa conta com coleta e avaliação especializadas, equipe experiente em metais não ferrosos e certificação ISO 9001.

Fontes

  • ReMA’s ISRI Specifications, Guidelines for Nonferrous Scrap, edição de julho de 2026, seção Red Metals (classes Barley, Berry, Candy, Birch, Cliff, Dream, Clove, Cobra, Droid, Druid e termos Apple). isrispecs.org
  • London Metal Exchange, Special Contract Rules for Copper Grade A. lme.com
  • London Metal Exchange, How are LME reference prices used in physical metals contracts?, LME Insight. lme.com
  • U.S. EPA, AP-42, seção 12.9, Secondary Copper Smelting. epa.gov
  • ABNT NBR 8386, Sucata de cobre e suas ligas: especificação, situação cancelada no catálogo de normas. normas.com.br
  • International Copper Study Group, The World Copper Factbook. internationalcopper.org